VII

Bilhete de Passagem

Uns viajam para esquecer, eu viajo para recordar
Quer das tristezas, quer das felicidades
Para espairecer, me achar
Tanto das vivências, quer das afinidades

Diga-se de passagem que o futuro actual é a miragem do passado
Por isso, escolho diariamente viajar na reminiscência do nosso amor
E como preço tenho vislumbres das tempestades e turbulências
Rezando que os ventos tragam nos seus sopros o teu odor
Para que, pela última vez, possa me confortar nas recordações,
aquando sentávamos no pátio
Falando por horas afinco
Eu e as minhas anedotas
Tu e os teus sorrisos
Dois rostos cheios de vincos

É também adormecer nos sopros dos ventos
E lembrar daquilo tudo que nos aconteceu
Dos abraços que não demos, das discussões que tivemos
O que somos agora é o fruto de um adeus mal dado
De um amor mal retornado
E inclusive do apego forçado

Bilhete de Passagem (def.)
é quando deixo o presente para embarcar nas tuas histórias
Descalço, correndo por ti, entre as nebulosas trilhas
Na falta de guia, vou seguindo o relógio sem me preocupar com as horas
Falando sobre planos, até que se faça chover utopias.

VII

Amor sem destinatário

É o caso dos acasos
Do destino mal destinado
Sem remetente, sem destinatário
O amor mal premeditado que vive no açúcar amargurado

São tantos encantos,
Que no entanto
A gente deixa por aí...num canto
E quando alguém o encontrar
A gente vai tentar lhe reivindicar através de prantos...

Há tanta coisa absurda
Mas ainda assim o mundo nos julga
Pela pessoa que a gente se debruça
E escolhe em ser o seu pintor:
Pegar nos seus defeitos e torná-los em algo maior...

Amor vem, amor vai
Somos frutos do acaso
Nascidos sem mãe sem pai
Num mundo vulgar
Sem alguém que nos possa educar o propósito de realmente amar!

V

Souvenir de uma Saudade

Às vezes, para matar as saudades, coloco uma das almofadas no peito e fico a imaginar você adormecida nele
Fico preso a acompanhar o teu lento respirar
Caindo em vertigens ao apreciar os teus cabelos a deslizarem entre os meus dedos como se fossem areia do mar
Desmaio em sonhos quando o meu coração escuta os teus batimentos cardíacos
Decifrando meticulosamente a variação de bombeio em cada teu sentimento perdido

Sinto falta de te ver a brincar no chuveiro
Vendo a água a deslizar pelo teu corpo inteiro
Saindo das montanhas dos teus seios
até perder a altitude nas cascatas das tuas pernas
Desaguando na Foz do Banheiro

As viagens não param até que eu também caia no sono.
E quando acontecer, ainda estaremos juntos, pertinhos e aconchegados
Deitados nesta mesma minúscula cama, com lençóis brancos amarrotados
Os nossos pés, que nem estrelas, juntinhos e entrelaçados
E eu a fazer cafuné nesses teus pequeninos lábios...

"Souvenir é sentir o teu perfume nestas fronhas quando tu já não estás por perto"

III

Um Desabafo Académico

Em véspera de projectos e defesas, pessoas lindas e formosas, irrita-me quando alguém me pergunta se não irei defender. E caso responder que sim, hão de perguntar o porquê de estar vestido de tal forma.
É uma pergunta não obstante curiosa, mas no entanto ridícula. E aí me pergunto:
"O que será o mais importante? A minha vestimenta ou o meu trabalho? Aquilo que carrego no corpo ou na cabeça?"
De qualquer forma, de nada me adianta pensar na vestimenta que irei de usar, se não consigo fazer o meu programa compilar.
É tão simples assim porra!

II

Words I fail to say, But my heart yells them

There are things we never forget
Like a hug
The very first kiss
The body in the bedsheet
Like labyrinth, knowing
Every corner of it

There are things meant to be unforgettable
Like the face of our childhood love
Her doll face in a mermaid body
The female innocence

There are things that are never enough to be said...
Like "I love you"
"I miss you"
"I wish you could be here"

I am a poet
But these are the words that pains me the most to say
And
There are words like "I'm sorry"
Words like these that my heart yells
Everytime
Everyday
That it should be years now
Without stopping...