Campo dos Perdidos

Campo dos Perdidos

Na minha primeira expedição nos bairros Bita sofri bastante com o sol ardente e o calor que lá fazia.
Os trilhos de lá são reminiscentes dos guetos da cidade. Num momento estás a andar bem, no outro vês-te dentro dum quintal alheio porque é o caminho para se chegar do outro lado. Não obstante numa dessas situações ter cães a ladrarem para mim, e outros, os mais rabugentos, a correrem bem atrás da minha roda.

Embora os trilhos me proporcinarem um monte de alegria, chegou uma altura que não consegui suportar mais aquele calor. E para falar a verdade, os suplementos haviam terminado e a água completamente quente. E, claro, sem omitir o facto de que parecia que andava à deriva...
Sendo assim, olhei para o GPS de formas a tentar me colocar na via principal para iniciar o meu regresso à casa. Uma vez mais, coloquei-me dentro de um quintal alheio, e para o meu azar desta vez não havia saída. O GPS dizia para continuar, mas a parede me impedia. PUDERA.
Olhei para senhora (provavelmente residente daquele local) que olhava-me vez em quando enquanto estendia a roupa, indagando o que um gajo de colãs e de bicicletas fazia no seu quintal. Matei o embaraço e perguntei-lhe como era possível voltar para o Kilamba, e ela disse que tinha de retornar e de seguida apontou para um local vasto qualquer que eu próprio não entendi. Não liguei muito, até porque tinha mesmo o GPS, e bazei.

Já no trajecto correcto, notei um campo de futebol vasto. Tão vasto que se encontrava vazio. Não maiei, encostei a bike, olhei ao redor e comecei a fotar. Não demorou muito até os putos começarem a se reunir a minha volta.

- Minha mota.
- Hummm. Éh mbora minha. Eu vi primeiro.

Pus-me a rir um bocado enquanto os via a discutir se a "mota" pertencia a quem...lol

- Papoite, tás sair correr nê?
- Yha, tó sair correr. Estou fobado - disse eu sem esconder um sorriso do semblante. E assim meti-me novamente a pedalar, sem ao menos perguntar o nome do campo...