Uma Morte Anunciada

Uma Morte Anunciada

Aos olhos peregrinos
sou um mundano moribundo,
atravessando buracos profundos,
pouco se lixando
com as repercussões do futuro
 
Que nem uma bela poesia,
encarcerada, dentro de uma caixa,
sem vida, perdida,
sem chance de ser encontrada,
vivo na mais abismal escuridão,
de segunda a domingo
em aguda depressão,
perguntando-me o que seria <<se>>
se os planos não tivessem falido...

Às vezes desejo morrer,
mas são tantos problemas
que ela acaba se tornando
a última na lista de afazeres

Então, perece uma nova esperança,
nasce mais um sentimento de vingança
Este, porém, é engolido pela garganta,
ficando inerte, para sempre, nas entranhas

Nunca perdi ninguém na vida
Não obstante a morte e o futuro
serem os meus maiores medos
A morte dos pais, dos irmãos,
dos amigos e dos filhos
O medo da carreira fracassada,
de amar e não ser amado
O medo do divórcio,
e outras coisas do quotidiano...

Rumo numa jornada solitária,
enfrentando fantasmas na hora do dia
Sinto que minha presença
causa repúdio à luz ensolarada...
Pudera! Sou um homem sem crença,
cético de tudo que me entra na cabeça

Os comprimidos,
que antes ajudavam-me a dormir
e suavizar o meu fim,
hoje já não fazem efeito algum
Então, a prescrição do doutor passou a ser:
<<sorrir>>

O sorriso, lentamente,
transformou-se em risadas
para esconder o choro seco e as mágoas
Infelizmente nessas risadas, sou uma corrente rasa...
Que adianta?! Se tudo que julgo passar, não passa!!